OBRA E AUTOR
Pintura de Georg Kersting (Alemanha, 1785-1847)
O texto de Luis Justo, publicado em novembro de 2019, no seu site Estante do Justo, permanece atual. É daqueles escritos que atravessam o tempo e nos convidam à reflexão — não apenas sobre a escrita, mas sobre a relação entre autores e suas obras.
Como autora, me senti profundamente tocada pelas considerações que ele propõe. Ao escrever “Sou mais que a minha doença – sonhos, desafios e superação”, uma narrativa biográfica, vivi momentos de intensidades, mas também de dúvida: estaria eu narrando um fato ou interpretando-o? Como lidar com a presença — e a visão — das outras pessoas envolvidas nos acontecimentos que relato? E até que ponto minha versão poderia desconfortar alguém?
Essas questões me acompanharam durante todo o processo de escrita. E o texto de Justo, com sua abordagem sutil e instigante, ajudou a dar forma a essas inquietações. Ele amplia o olhar sobre o sentido das obras: o que elas realmente significam? O quanto refletem, de fato, os conceitos e valores de quem as escreve?
Para mim, essa leitura provocou um mergulho honesto no fazer narrativo e em suas implicações éticas e afetivas. Afinal, escrever — seja um romance, uma biografia ou qualquer forma de narrativa — é também se perguntar. E talvez essa seja uma das maiores forças da literatura: revelar, em meio à ficção ou ao testemunho, a coerência (ou a tensão) entre quem escreve e aquilo que se escreve.
No áudio, não mencionei datas de nascimento e morte dos autores citados, para dar fluidez à leitura:
Louis-Ferdinand Céline (França, 1894-1961)
Thea Von Harbou (Alemanha, 1888-1954)
Ezra Pound (Hailey, EUA, 1885 – Veneza, 1972)
Lillian Hellman (EUA, 1905-1984)